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GENTES GRANDES

Onde foram morar os sonhos? E as doces frases da infância? A ilusão de criança? E o futuro promissor? Gentes Grandes... Nas abundantes insônias Com um sonhar ainda "não pecado" Entre apontadores atirados. Um condenado, ocioso por sonhar. Gentes grandes prendem sonhos Libertam  gentes sonâmbuas Val Mello

SÓ POR HOJE

Passos largos na estrada Transbordante amor entre-póros, Como se tudo, fosse pra ontem E doar-se não  fosse o bastante. Como se o rio já fosse o mar. Entregar-se sem ter licença À Vida em fio de navalha À Vida em busca da falha Ás falhas  da existência. Só  por hoje me amarei, Só por hoje serei feliz, Só  por hoje a vida não para E que amanha seja mais um vez, Só  por hoje. Val Mello

DELÍRIOS

Alguns dias são tão pesados Alguns passados tão presentes Alguns presentes tão distantes Alguns futuros apenas sonhos. E tudo vira criança E tudo vira infância E se canção estiver certa "Os sonhos não envelhecem." Val Mello

SILÊNCIOS PARALELOS

De que valem as armaduras Se a alma já estar atingida Por palavras metralhada Por frustração engolidas O falar engasga o choro E o soluço fica pra outra hora. Seguindo uma direção, Com um rumo talvez sem norte, Ouvir talvez um "boa sorte" Não afaga, mas revela. E quando se grita os  silêncios Encontra-se ali as respostas. Pronto! Foi-se o pranto, Armaduras recompostas Paralelos a moverem-se Nem sempre na mesma direção Val Mello

MIM ARTE

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Dose, Dupla, pintura. Necessariamente Nessa Ordem. O que é  a arte? Senão  inquietos segredos. Entregas de verdades Mundo real iludido E certezas confortantes. Val Mello

OPHIDIA

OPHIDIA Da presa que extermina, Brota antídoto da cura. Ainda encontro ternura Na dualidade maldita. Se um sibilar amedronta O gigante que a despreza Imagina, se a afrontas, E faz valer sua empáfia No torcer do seu rastejo Paralisa quem a olha. Sem precisão da visão, Desfila esguia onde passa. E em bifurcação lingual Diz ao vemoronasal O que há em sua estrada. Rotulada e sem cortejo Vive a vida envenenada , E aprumada em seu rastejo, Ou recolhida a suas voltas pode portar o último beijo Ao gigante predador. Val Mello

RELÓGIO DA ETERNIDADE

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"Quanto tempo dura o eterno? _As vezes apenas um segundo" (Lewis Carroll) RELÓGIO  DA ETERNIDADE. Das vontades  fulgurantes das esperas tenebrosas Contam-se em dedos as horas. e eterniza-se as paixões O tempo é  lépido, O tempo se veste da nudez. E construir o eterno, é  só um segundo talvez Fração de minuto é  tesouro contado com o que é  contido. Quarenta e três  minutos vividos, é um eterno sagrado, é  um século achado, em um segundo de atenção. (Val Mello)