O status de minha irmã Rivane denucianava: ela orgulhosamente exibia um saboroso caldo da caridade feito por mamãe, foi quando lembrei que lá em Capitão de Campos, no tempo em que a internet era só um passarinho fofoqueiro no fio da luz, o entretenimento da família vinha em duas formas: o caldo da caridade da tia Conceição e as histórias mentirosas, porém deliciosas, do vô Edmundo. Nas tardes, a gente se amontoava no terreiro, cada um com seu prato de alumínio amassado, esperando a fumacinha sagrada sair da panela. Era mingau de farinha de mandioca, grosso e perfumado, com ovo de galinha caipira, coentro colhido no quintal, muita pimenta do reino e um poder milagroso: curava toda mazela, ressaca, frieira, dor de cotovelo e até casamento desfeito. — Isso aqui levanta até defunto — dizia a tia, mexendo o caldo como quem invocava uma bênção. — Se Jesus tivesse provado, a multiplicação dos pães era de mingau! Enquanto isso, vô Edmundo começava o espetáculo. Era um contador de causos profis...
VERSOS QUENTES, VERMELHIDÃO EM VAL MELLO, POESIA DO FOGO por Luiz Otávio Oliani "somos todas Matrioskas Dentro de mim cabe o mundo enquanto o mundo me esvazia" Val Mello, p.58 Na orelha ao livro "Vermelhos inVersos", de Val Mello, Ventura Editores, 2020, a professora Gleide Kaline Araujo Costa Rodrigues acentuou que: "Val Mello traz toda sua intensidade nessa obra, a valorização da mulher e o elo entre a humanidade." Trata-se de uma poesia com "textos (...) curtos, porém ricos em reflexões profundas". Eis a entrada para a compreensão deste livro, que tem como metáfora a cor vermelha, a cor da paixão, do batom e que assinala a busca pelo amor. Não é à toa que a capa do livro, com registro fotográfico de Eduardo Reis, retrata a poeta, de batom vermelho, e de cabeça para baixo, em um jogo de espelhos. A apresentação de Julyano Ode, (um multitartista, capitão de compense, que vivenciou parte da adolescência com a autora quando no Piauí) traz u...
Ao amor todos gritam oníssonos em preces, em poesias um pedido, um clamor Tem gente bota cor até em amores desbotados Preto e branco Colorido Amarelo incolor Ela e ele Ele e ele Ela e ela De que impota o êla ? se essencial é o elo Elo de carinho respeito prazer direito Sem regras sociais Nem punições Nem segredos Amar somento amar sem grilos sem medos Sem se impor ao pudor Sem contribuir com a dor sempre de dentro fora sem esmolar a paixão sem vigorar solidão Sem hora exata, sem ser perfeito Com basta às regras jamais ser metade ser sempre inteiro Sem disciplinas para amar Vivendo cada de emoção Porque linguagem do peito Só possível ser lidar Por aquele que a todo amor Aprender a respeitar Val Mello 17 de maio dia Internacional contra a Homofobia. Viva a diversidade Viva o amor Viva o respeito Viva a paz.
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