Eu sou o calor abrasante que te toca; Não é que quero te escaldar, mas porque clamo por sua atenção, para dizer que posso ser brando. Eu sou a geleira solitária, Que se derrete em teu mar, não para transbordar nas areias de suas praias, mas porque já não tenho forças para me suportar, me sinto fraca e me derreto, e em águas salgadas me transformo feito lágrimas de dor, e em meu choro desejo não ser um passado derretido Sou um rio que um dia existiu, Filho de outro que já não corre para abraçar o Oceano, não é que sejam inimigos, mas o contato já foi desviado e transposições os sufocaram, assorearam minhas margens, queimaram meus vizinhos verdes, e meus amigos que voavam, migraram ao Sul, outros correram para montanha, meu curso foi interrompido, já não sei meu nome; Se me chamo Congo ou se o apelido é Chico, se me chamam Negro ou se gostava de Missipi, se Araguaia é meu sobrenome,...